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Sobre o livro

Se comparam os enigmas de uma comunidade da periferia do Rio de Janeiro, sua relação com a tradição intelectual europeia, mediadas por um médico, que durante 25 anos viveu ali a experiência do trabalho voluntário.

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Sinopse

Os atendimentos no posto de saúde levam minha alma por lugares estranhos… Diferente do poeta francês, não quero mais traçar correspondências entre realidades ― “Cette vie est un hôpital…”. Reconheço o valor da metáfora e deve ser verdadeira em algum lugar, mas não consigo, na Ilha, comparar nossa realidade a um hospital, onde “cada paciente busca mudar de leito…”. Sentado sobre um caixote, debaixo da lona da mercearia, a fim de aguardar o ônibus, continuo a ler: “Parece-me que estarei sempre bem lá onde não estou, e essa questão de mudança é um assunto que discuto sem cessar com minha alma”. Após, alguns minutos, em paz literária, ouço o som de um helicóptero ― as forças policiais. Um pouco antes, os fogos de artifício dos traficantes já alertavam sobre alguma interferência na cosmologia local. Como para bom entendedor meio tiro basta… volto ao posto de saúde com a certeza do conflito armado. Os carros blindados ainda não haviam chegado, nem o “Caveirão” da Polícia Militar, porém as motos e os carros roubados pelo tráfico de drogas já saíam levantando a poeira e o meu desgosto, com a rotina da violência. Difícil a leitura… nada é como a Musa canta.

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