Sobre o uso da palavra semantema
Quando se lê a obra poética de Daniel Faria, imediatamente se observa a presença repetida de algumas palavras. Essas palavras com um significado específico, criado pelo poeta, levou vários críticos a lerem a sua obra a partir desses sentidos geradores. Na tentativa de me aproximar da leitura por essa via, defini para uso metodológico, um uso próprio, particular, da palavra "semantema". Ou seja, o “semantema” é uma palavra cujo sentido é fixado pelo uso do poeta em contexto por ele criado, por “pura invenção”. Em nosso texto, ela se aproxima da palavra “termo”, de uso comum em Ciência da Informação, e não fiz dela uso, por considerá-la mais genérico e tive a intenção de marcar a diferença.
Nesse sentido a palavra “semantema“ se distancia dos linguistas e aproxima do significado de “símbolo” , como descrito por Peirce, ou seja, um tipo de signo que possui uma relação arbitrária (em nosso caso - reafirmo “mais” arbitrária...) e pouco convencional (um vestígio, uma sombra) com o objeto que representa. No desdobramento de sua reflexão, Peirce, é mais específico, ao pensar o contexto literário e introduz a ideia de “signo poético”. Dessa forma, como exemplo, uma palavra como “silêncio” usado por um poeta em sua obra, tem um significado próprio, atribuído por ele, e que se mistura/resgata algo do sentido comum, mas difere desse mesmo sentido comum e, inclusive, do significado atribuído por outros poetas, à mesma palavra. Assim, desde, que o "conceito" esteja esclarecido pelo uso particular a que me refiro, poderíamos considerar a palavra como um "símbolo", ou como um “signo poético“ ou como um “lexema poético", como se encontra em Peirce, ou até mesmo como "termo"...
E o tema?
O "tema" ou "temas" tem uso comum para se referir ao conteúdo central e resumido de um texto, ou seja, a ideia principal ou os assuntos mais relevantes que o texto aborda.
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